Texto lindo da maravilhosa Nurit Masijah Gil

Queridos filhos,
Eu errei.
Ontem à noite, na semana passada e nos últimos oito anos desde o dia em que acreditei ser sábia o suficiente para educar outros seres humanos.
Sim, li todos os textos-e-manuais-e-livros. Limite é amor, correr na grama é saudável, vínculos fortalecem. Já debati sobre cama compartilhada versus independência, sobre deixar chorar versus colo, sobre amamentar versus mamadeira. E já acreditei que estas eram as decisões difíceis.
Então, vocês chegaram.
E descobri que não estão em manual algum.
Que você, filha, testa meus limites, mas entende que errou quando eu olho sério nos seus olhos e explico sem explosão, respeitando a menina madura que sempre foi. Que compreende além do que eu falo, sabe a hora de seguir sozinha. Respira fundo, ergue a cabeça e encara. Sem mim. Ou apesar de mim. Que você, filho, precisa andar de mãos dadas para reunir impulso suficiente. Em sua trajetória, solidão não leva a lugar algum e você consegue ultrapassar todas as suas barreiras se estiver cercado por abraços fortes e referências.
Criar filhos não é uma ciência exata e entendi precisar estar atenta a quem verdadeiramente são. Mas quem disse que é fácil?
Ao esquecer os protocolos, opiniões e reportagens de especialistas, não há ninguém mais para dizer se o tempo que determinamos para que estejam com eletrônicos é demais ou insuficiente. Quais frustrações são necessárias e quais, insuportáveis. Se morar longe da família fortalece ou enfraquece. Se é cedo demais para estarem apaixonados. Se precisamos estimular ou deixar seguir. Se é muito, pouco, forte, fraco, certo ou errado.
Então, na tentativa de acertar eu brigo, coloco de castigo, relevo o castigo, dou mais uma chance, peço desculpas, explico, decreto “porque eu sou a mãe e ponto final”. E acerto. E erro. E aprendo – segredo nosso – junto com vocês.
Filhos, algumas mudanças que estão pela frente vão balançar seus mundos. Elas foram pensadas e planejadas, mas não sabemos se serão fortes, fracas, certas ou erradas. No dia em que puderem ler esta carta, já teremos todas as respostas mas até lá, eu prometo estar atenta a quem verdadeiramente são. A procurar saber quando olhar nos olhos e explicar ou quando simplesmente, dar as mãos para seguirmos em silêncio.
A única certeza é esta: eu vou errar.
E por isso, quis que soubessem de toda imperfeição que hoje, vocês acreditam não existir.
Nós não temos todas as respostas do mundo, mas escolhemos os caminhos sabendo a mais importante pergunta.
“Será que este é o melhor que podemos fazer por vocês”?

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